Pular para o conteúdo principal

A VELA DO INVISÍVEL

PRELÚDIO 

O TERRITÓRIO DO INVISÍVEL

A Visualização:
Trata-se de uma cena noturna e a atmosfera evoca o "silêncio em pó".

Estamos num vale indeterminado. As formas são apenas silhuetas suaves e difusas, quase dissolvidas por uma neblina que paira sobre a terra. Onde nada é nítido, tudo é possibilidade.

Uma sensação de profunda quietude, mistério e a coragem de ser a própria luz na imensidão.

No ciclo da Água e do Sonho, a neblina é o território do invisível, onde o "avesso ensina" a trans-bordar, do in-verso ao verso, de verso em verso.

É o demonstrativo do momento em que a vida tenta o impossível e arrisca-se a ir mais além no seu ponto de bordado; trans-bordando brio, ponto por ponto — em cada ponto um futuro, à passagem do lume...

A VELA DO INVISÍVEL

Um vaga-lume borda o veludo da noite,
Em ponto alto,
Com o Fiat Lux do enigma.

Essa fita do Lácio,
Que se dita
Numen.

Onde o avesso se arrisca a ser verso,
A vida floresce mesmo em meio à neblina.
É a insus-tentável leveza tentando o impossível.

É a agulha que ilumina
Do céu à mina:
Vertiginosa fagulha.

E o vaga-lume é o poeta,
Barqueiro da alma que atravessa
Meus rios do desejo.

Neste sempre inquietante instante
De ver,
Sou toda olhar.

O que eu vejo agora?
Vejo só depois que antes era apenas desejo,
De ver o invisível:

A pena sobre a folha,
O velho rádio e o seu inseparável tinteiro,
A luz de uma vela...


Abreijos no lume do olhar que não pede licença para atravessar,

"transver o mundo"!

(Saudações a Manoel de Barros!) 

Direto do Litoral da Alma,
Rejane Franco 🫶🏽 🦋

(Na extensão — O Bloco Mágico de Rejane Franco — para quem quiser revirar meu Uni-verso, do reverso ao verso e vice-versa: 
https://rejanefranco-poesia.blogspot.com/)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIÁRIO DE UMA BORBOLETRA

"Na gramática da alma,     o sujeito que sonha é o único que conjuga  a Paz no modo infinito." ​ Recados da Mandala: ​ A Mandala traça o círculo, mas o ato falho fura o centro com a agulha do desejo, para que a poesia possa abrir suas asas — para que o fio do sonho possa costurar o céu e a terra. Aqui navega uma alma que não teme a própria morte, apenas o desamor. O fogo do amor que não queima, mas aquece, é o que mantém a nossa tinta da dor fluida e a nossa consciência tranquila. O transbordo do poema é a prova de que a alma é maior que o frasco. O frasco tenta conter a água; a alma prefere ser a maré. No espelho do afeto, o abismo descobre que é apenas o céu de cabeça para baixo. ~ Onde o mundo vê distância, a  Borboletra vê um ponto de bordado,  Se no furo de um bordado é possível o trans-bordo do poema,  É neste poeMar que a vida se torna, enfim, possível (para mim). ~ 🦋 Voltaremos!  ~ Com brio embrio...

O PÉRIPLO ESTÉTICO-POÉTICO DA PSI-POÏESIS

🌸 A FLORAÇÃO DO BRIO: MANDALA DA BORBOLETRA  No meu jardim, onde o mistério se fez carne, sol e som, as flores não se explicam; elas se manifestam. Eu sou a imago ‘acon-tecendo’ o poema, não mais a lagarta que se arrasta, mas a artesã do tato banhada na luz que ‘ex-ala’ da manhã. Vim tecida de sonhos para morar no jardim do inconsciente, um não lugar onde minha pele carrega o bronze da resistência e o Kalo da Poïesis. A poesia é o único 'trabalho' que me devolve a dignidade, pois transforma o suor do meu esforço no aroma-amora que fica nas mãos de quem ousa ler do avesso. Sou a leitora do invisível, a artesã do tato, minha morada é feita de estrelinhas tateáveis, o balé divinal das mãos é o meu mais puro relato. Nutrida do néctar da fonte arcaica, sigo pelo palíndromo do amor, em correspondência à abóbada terrestre, espelhando o teto da capela no agora. Sou inteira, ressoando a alforria que os sinos dobram, nativa de voos inesgotáveis e, finalmente, a bela Nossa Senhor...

A Borboletra e o seu Flâneur Navegando pelo Litoral da Alma (Conversa-viva)

::Quando a Conversa Começa: Trilha Sonora ao Campo Onírico:: Escuto as palavras conversando entre elas... Dizem, para mim, que são nossas estrelas mais próximas, sempre crescendo às margens dos rios dos desejos... Espelhadas no brio veem, em si mesmas, rios de flores do Campo de-lírios, a re-cor-dar que a poesia está em tudo; então, na vida também. Fazem-me re-reparar de verdade, que é preciso prestar bastante atenção; que o necessário é criar a própria vida, a partir do tecido dos sonhos já sonhados. IMAGEM I: O ENCONTRO (Poemas para ler no vai-vém do aro do aroma-amora) Acordei: a cor dei... Amar é dar cor, ação – coração – Para quem não quer. ~ A Borboletra ruma e arruma a casa, o jardim, o campo, o palco ao sonho, alinha a asa e o leito ao amor eleito, tudo do seu jeito, e vai indo lindo pelo palíndromo comovente do aro do aroma da campina... Na canoa a raiar o céu da cor da graça que, em si, incide em mim. ~ Invento O tablado talhado Onde o rio se apresenta Todo m’olha...