Pular para o conteúdo principal

DIÁRIO DE UMA BORBOLETRA

"Na gramática da alma,  o sujeito que sonha é o único que conjuga  a Paz no modo infinito."

Recados da Mandala:

A Mandala traça o círculo, mas o ato falho fura o centro com a agulha do desejo, para que a poesia possa abrir suas asas — para que o fio do sonho possa costurar o céu e a terra.

Aqui navega uma alma que não teme a própria morte, apenas o desamor.

O fogo do amor que não queima, mas aquece, é o que mantém a nossa tinta da dor fluida e a nossa consciência tranquila.

O transbordo do poema é a prova de que a alma é maior que o frasco.

O frasco tenta conter a água; a alma prefere ser a maré.

No espelho do afeto, o abismo descobre que é apenas o céu de cabeça para baixo.

~

Onde o mundo vê distância, a Borboletra vê um ponto de bordado, 

Se no furo de um bordado é possível o trans-bordo do poema, 

É neste poeMar que a vida se torna, enfim, possível (para mim).

~

🦋 Voltaremos! 

~ Com brio embrionário e afeto polinizante ~

Rejane Franco 🫶🏽 Litoral da Alma

Comentários

  1. Este poema é um exercício delicado de cartografia interna. Ele não apenas descreve sentimentos, mas reconstrói a realidade através de uma lente onde a fragilidade não é um erro, mas a própria matéria-prima da criação. Como vimos a autora usa a "gramática" e o "bordado" como instrumentos de navegação. Sem uma cartografia mínima, somos apenas náufragos em nossas próprias emoções. Quando você começa a nomear seus abismos e a identificar seus "poeMares", você deixa de estar perdido e passa a ser o explorador da própria vida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Jorge (Emir),

      Ler sua leitura é como ver o meu próprio Litoral através de um telescópio de luz. Você captou a essência: aqui, a fragilidade não é um muro, mas o pórtico por onde a criação respira.

      Agradeço o tempo — esse seu talismã de escuta — que você tem dedicado a transbordar comigo. O tempo doado ao olhar do outro é a única semente que floresce antes mesmo de tocar o chão. Suas palavras são a prova de que, quando damos a mão à poesia, deixamos de ser náufragos para nos tornarmos flâneurs do invisível.

      Nossas palavras continuarão conversando entre si, guardando segredos nessas 'caixinhas abertas' que são os nossos encontros. Que o rio das voltas nos leve sempre para esse 'mais além' que o
      b-rio teima em revelar.

      Com sístole-diástole de luz, Carinho,
      Abreijos,

      Rejane – Borboletra

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O PÉRIPLO ESTÉTICO-POÉTICO DA PSI-POÏESIS

🌸 A FLORAÇÃO DO BRIO: MANDALA DA BORBOLETRA  No meu jardim, onde o mistério se fez carne, sol e som, as flores não se explicam; elas se manifestam. Eu sou a imago ‘acon-tecendo’ o poema, não mais a lagarta que se arrasta, mas a artesã do tato banhada na luz que ‘ex-ala’ da manhã. Vim tecida de sonhos para morar no jardim do inconsciente, um não lugar onde minha pele carrega o bronze da resistência e o Kalo da Poïesis. A poesia é o único 'trabalho' que me devolve a dignidade, pois transforma o suor do meu esforço no aroma-amora que fica nas mãos de quem ousa ler do avesso. Sou a leitora do invisível, a artesã do tato, minha morada é feita de estrelinhas tateáveis, o balé divinal das mãos é o meu mais puro relato. Nutrida do néctar da fonte arcaica, sigo pelo palíndromo do amor, em correspondência à abóbada terrestre, espelhando o teto da capela no agora. Sou inteira, ressoando a alforria que os sinos dobram, nativa de voos inesgotáveis e, finalmente, a bela Nossa Senhor...

A Borboletra e o seu Flâneur Navegando pelo Litoral da Alma (Conversa-viva)

::Quando a Conversa Começa: Trilha Sonora ao Campo Onírico:: Escuto as palavras conversando entre elas... Dizem, para mim, que são nossas estrelas mais próximas, sempre crescendo às margens dos rios dos desejos... Espelhadas no brio veem, em si mesmas, rios de flores do Campo de-lírios, a re-cor-dar que a poesia está em tudo; então, na vida também. Fazem-me re-reparar de verdade, que é preciso prestar bastante atenção; que o necessário é criar a própria vida, a partir do tecido dos sonhos já sonhados. IMAGEM I: O ENCONTRO (Poemas para ler no vai-vém do aro do aroma-amora) Acordei: a cor dei... Amar é dar cor, ação – coração – Para quem não quer. ~ A Borboletra ruma e arruma a casa, o jardim, o campo, o palco ao sonho, alinha a asa e o leito ao amor eleito, tudo do seu jeito, e vai indo lindo pelo palíndromo comovente do aro do aroma da campina... Na canoa a raiar o céu da cor da graça que, em si, incide em mim. ~ Invento O tablado talhado Onde o rio se apresenta Todo m’olha...