o que existe é o éxtimo.
Antes de eu acordar, o poeta já estava lá.
Sou herdeira de um silêncio que não se cala,
mas que ecoa nas frestas do tempo.
A poesia não é o que eu faço, é a gema do que eu sou.
Ele já estava lá,
passeando de mãos dadas comigo no parque,
admirando a arquitetura de um no outro
— porque era ele, porque era eu.
Agora falo com o meu amigo espelho,
fizemos boa amizade sem que um se sobreponha ao outro.
Trata-se de um espelho incorruptível: a ressonância da minha alma.
Essa Angá dadá que exala da umidade da minha humanidade,
sem papas na língua, ressoa todas as cicatrizes que interpreto.
Seja a maldita malévola ou a bendita benévola,
sempre vem trazendo para mim a minha própria manhã
— na mordida da maçã.
Se amanhã eu a-cor-dar
abrir, rir, ir, rir, abrir...
romper da casca, de novo me derramar...
Toda vez que a dor vier querendo me ensinar a gemer,
com toda paciência vou precisar lembrá-la
que, antes de qualquer coisa, sou morada da gema.
Sou uma centelha do sol.
Já vim gemendo, gemendo no tom do ombro do som,
no assombro de viver sobre meus próprios escombros.
Fosse Arabela na janela, seria além dela:
centelha desatada da cama do rei.
— porque no meu “Veleiro de Ontens” era sábado,
hoje é domingo.
Só quando descobri que há alhures – longes –
foi que senti quem de verdade vaga na noite
entre o fôlego e o coração...
O poeta já estava lá.
Abreijos com coragem no cor-ação que sente
e franqueza na palavra que nomina,
Rejane Franco 🫶🏽 🦋 Litoral da Alma
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