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(Infância e Poesia) REPORTAGEM DO BLOCO MÁGICO

Epígrafe (Abertura)

"No horizonte das coisas mais belas e urgentes, 
a arte vem em primeiro lugar."
A criança brinca poetante,
o poeta trabalha brincante.

REPORTAGEM DO BLOCO MÁGICO

Vim lá do fundo, onde o desejo escreve e apaga, 
para reportar o que vi.

"
Quem perguntou “quantos enigmas poderiam ser revelados”? Em nossa areia, a resposta é infinito.

"

Infância e Poesia

Esta mão que escreve é a mesma que flana na dança dos sete véus. Caminho e o Oceano balança, porque eu respiro. 

Nunca nasci: sempre acordei.

O poeta e a criança levam o mundo a sério. Quando sentam para brincar, a areia vira um livro de ouro — um “Bloco Mágico” onde as letras são sulcos de luz. Ali, escutam o que o vento escreve entre as folhas e a alma. Compreendem: o que não é ventilado vaga pela noite, no vão entre o peito e as palavras...

Nessa meditação sentada, ora um dirige a brincadeira, ora outro. Não buscam respostas; descobrem que podem fazer todas as perguntas. Desvelam que tudo o que se move retorna do horizonte ou relampeja dos sonhos, sempre que fecham os olhos para re-pousar.

Imagino, então, o Cosmos espiando a Terra e seus topos enevoados como um jardim de infância. A poesia é essa brincadeira divinal que não para. A vida, uma reinvenção constante a partir dos sonhos que já ousamos sonhar.

[Nota de brio: Ir da posteridade — o que deixaremos — à anterioridade, onde a menina com flores no coração percebe que o tempo da poesia não é uma linha reta, mas um círculo de brio onde o fim sempre reencontra o começo.]

Rejane Franco 🫶🏽🦋 
(Atelier Ponte-palavra)
Navegue também pelas camadas de:
[O Bloco Mágico 
– https://rejanefranco-poesia.blogspot.com/


Comentários

  1. Sabe, ler esse poema me trouxe uma sensação de paz, mas daquelas que fazem a gente parar e pensar na vida com mais carinho. O que mais me tocou foi essa ideia de que a poesia e a infância não são fases ou estilos, mas sim um jeito de olhar o mundo.
    É um convite para a gente "re-pousar" (adorei esse jogo de palavras). Ele me convenceu de que a poesia é, no fundo, uma brincadeira divinal. Saio dessa leitura sentindo que a vida não precisa ser tão rígida; ela pode ser uma reinvenção constante, contanto que a gente não esqueça de olhar para a "areia" da nossa rotina com os olhos de quem está vendo um tesouro. Que a gente possa fazer mais perguntas e que sejam mais importantes do que as respostas.
    É um texto que abraça a alma e pede para a gente não ter medo de sonhar.
    Parabéns Rejane

    ResponderExcluir
  2. Sabe, ler esse poema me trouxe uma sensação de paz, mas daquelas que fazem a gente parar e pensar na vida com mais carinho. O que mais me tocou foi essa ideia de que a poesia e a infância não são fases ou estilos, mas sim um jeito de olhar o mundo.
    É um convite para a gente "re-pousar" (adorei esse jogo de palavras). Ele me convenceu de que a poesia é, no fundo, uma brincadeira divinal. Saio dessa leitura sentindo que a vida não precisa ser tão rígida; ela pode ser uma reinvenção constante, contanto que a gente não esqueça de olhar para a "areia" da nossa rotina com os olhos de quem está vendo um tesouro. Que a gente possa fazer mais perguntas e que sejam mais importantes do que as respostas.
    É um texto que abraça a alma e pede para a gente não ter medo de sonhar.

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    Respostas
    1. Querido Jorge (Emir),

      ​Receber seu comentário em dobro me fez lembrar que a voz divinal da arte é o que sOBRA da obra. Não é um ganho; na redobra, é um banho de prazer redobrado.

      ​Gratidão ♾️
      Abreijos da sua correspondente,

      ​Rejane Franco 🫶🏽
      Direto do Litoral da Alma

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