A Oficina Onírica do Vaga-lume
prospera
Atividade:
A escrita automática. Tendo como base a livre associação de ideias e palavras, a regra é escrever tudo o que vier à cabeça, sem restrições. Afinal, para desentupir o canal analítico e canalizar uma dor da alma transbordante, é preciso sacudir o subsolo da linguagem. Para tanto, precisamos do canaliza-dor Vagalume: o poeta em cada um, o único capaz de adentrar na topologia do ser.
Quem somos nós?
Somos seres com capacidade de desejar, mas destinados à incompletude. Considerando isso, entregamos o serviço sempre incompleto, mas com variadas possibilidades criativas.
Pró-duto:
O n-osso pró-duto não é um imperativo categórico. É solidário, criativo, imperecível, cooperativo e per-laborativo.
Tempo:
Operamos no tempo lógico: o tempo do sonho.
Tecnologia:
Oferecemos a mais avançada das tecnologias: o Sonho. Ele é a ferramenta "zero quilômetro" da alma, aquela que nunca perde o fio condutor do desejo nem enferruja, porque se renova a cada devaneio e soltura do olhar. Como dizia Freud, ele é o "caminho real" (Via Regia) para o inconsciente.
Onde adquirir nosso pró-duto:
Todos já viemos equipados com o mais impressionante dos instrumentos da humanidade: o mais amável realizador do desejo. Enquanto as ferramentas do mundo se desgastam com o uso, as Ferramentas do Sonho — a metáfora e a metonímia, a condensação e o deslocamento, algo visto ou ouvido — ganham mais brio quanto mais são operadas. É o único instrumental que nos permite ligar o torno da Olaria da criação sem medo de gastar a matéria-prima, pois o desejo é inesgotável.
Como fabricar canaletas de letras (canaletras):
Para transformar a dor em flor e irrigar o jardim da sua Psiquê Borboletra, basta uma gota do poderoso sonho para dinamizar toda Água. Então, misture tudo no barro fértil da linguagem, modelando trilhas sonoras. Se a sua amada Psiquê não ficar feliz, pelo menos terá um jardim para receber a primavera, mesmo que ninguém lembre seu nome...
Garantia:
Em nossa oficina onírica, os sentidos estão sempre em movimento, no ciclo da Água e dos Sonhos.
Aposta:
Apostar no sonho é apostar na única tecnologia humana que é, ao mesmo tempo, ancestral e futurista. É nela que o poÉtico Vagalume encontra o lume necessário para iluminar as canaletras da alma sem poluir o ambiente, apenas transformando "dor" em "flor" de palavra.
Renda Extra:
Essa aposta costuma render os mais altos lucros poemáticos, com reserva libidinal por tempo indeterminado e o maior ganho de prazer: o belo humor.
Bônus:
Um banho de prazer na terra do poema e uma viagem de sonho à terra da poesia para quem quiser conhecê-la.
Custo:
Nada é mais caro que a saúde mental. No Litoral da Alma, o aparelho psíquico agradece a manutenção pré-in-ventiva: escrevendo, que é como estar sonhando; lendo, que é como estar se escutando direto da Fonte dos Recomeços. Afinal, humanos somos poemas começados.
Diário de uma Borboletra: Ver & Rever
Querido Diário,
"Pode uma borboletra enriquecer a natureza com sua incompletude?"
Eis uma charada para você.
Sabe aquele velho "de-feito" na encanagem — aquele vazamento de angústia que tanto assusta? Aprendi, em minha formação continuada na Oficina Onírica, que ele é, na verdade, a nascente da nossa criação. Errantes, aprendemos errando que não se deve "consertar" a incompletude, mas sim buscar para ela um estilo próprio, que se encontra na caminhada, no modo de andar, no ritmo do tambor de cada um.
Escuta o vi-és, ou-ve o revés... de-vagar devagarinho... é o nosso tambori-lar...
O que escrevo neste Diário não são apenas relatos; são os registros de bordo de uma Borboletra que, para a criação da própria vida, não precisou de outro instrumental além do Sonho. De tanto admirar os sonhos dos outros, não encontrou o paraíso, mas terminou encontrando o seu próprio r-astro de luz.
Descobrimos que canalizar a dor funciona de fato, como um fato de linguagem. Que "o necessário é criar" (canais criativos). Já in-tu-íamos há muito o que a ciência descobriu recentemente: o coração, esse nosso tambor, tem razões neuronais que a própria razão desconhece. Será que ele anda sentindo? A máxima tônica que ecoa no tambor é uma só: a única possibilidade real de escutar nossos tambores sofredores é através da escrito-leitura poÉtica. Se a vida dá um viés, devolvemos o revés da flor; se a vida dá um revés, reencontramos o viés do poema...
(Enfim. Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antesEu prefiro ser essa metamorfose ambulanteDo que ser aquela velha opinião formada sobre tudo... Acon-tece que em meu Bloco Mágico tudo Isso é impressionante.)
Vamos seguindo assim:
Em nosso diálogo franco e aberto entre nós: O Futuro é Ancestral
Eu sopro segredos no seu ouvido:Psi... psiu... Você ajuda a rearranjar a casa, realinha a asa,Caminha... E passa a flanar pelas folhas do jardim da vidaCom sua com-sorte Psiquê Borboletra.
Vamos ver o que virá...
Abreijos canalizados... pulsando no ritmo do tambor...
Reportagem de: Rejane Franco 🫶🏼 🦋
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