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Diário de uma Borboletra – Parte III

 ::Colcha de Retalhos::

O uni-verso trans-bordado 
Numa combinatória de sonhos já sonhados...

A vela do sonho navegando sobre o mapa

E o mapa é todo este imensurável poeMar...

Vi-és:
Primeiro é o instante de ver,
Depois é o momento de compreender.
O que há para compreender?
É o tempo de compreender de-vagar...
Então o tempo de concluir...
(é) devagar devagarinho...
Escuta, ouve... é n-osso tambori-lar...

O RECORTE: A VIA RÉGIA
Neste Vi-és, separo o Vi do és: redescubro a via régia que me leva de volta ao meu Pôr de Mim (2016). Ali, entre os litorais de Florianópolis e São José, eu já confirmava o que tateava desde a infância: que ao me "pôr", tornava-me autora do meu próprio projeto de vida.
É uma formação continuada entre a poesia e a psicanálise, uma vida que se pretende inter-es-sante: habitando o inter (o entre), firmando o es (o ser) e seguindo o pulso que flui. 

PRELÚDIO

Querido Diário,

Ontem ouvimos o tambor... hoje estamos escutando o eco, coando o silêncio em pó e revisitando cada nota da partitura.

Vamos seguindo assim: dedilhando o osso que sustenta o toque.

É no espaço entre um ponto de bordado e outro, estendido ao horizonte, que o ar circula. A arte está sempre disponível a nos atravessar, trazendo novas luzes entre espelhos.

Peço apenas licença ao tempo para falar das delicadezas que sustentam o peito.

III. O Osso Esterno e o N-osso Significante

O osso esterno é o que protege o coração e ancora o compasso do pulmão; ele permite a passagem do ar, do sopro de vida. É um osso que não aprisiona, mas sustenta o ritmo. É a estrutura que "mia" e "lumeia" por dentro.

Chamar meus significantes de "esterno" é dizer que a escrita protege o meu sentir — lugar onde o tambori-lar bate com mais força. É segurar no osso a batida que se transforma em tambor-palavra.

Banda de Möbius

No meu Atelier Ponte-palavra, a Banda ('Fita') de Möbius é a vela e o mapa: nela, o dentro e o fora, o osso e o litoral da pele, o eu e o outro perdem as fronteiras rígidas. Um fluxo contínuo.

Nessa Banda caminho pela face do "significado" e, sem perceber, já estou flanando pela face da "forma". Não há verso sem reverso.

O meu lume policolorido ao Pôr de mim virá da cor lar-anja.

O meu silêncio vira o coro das vozes pulsantes no ritmo com-passado-presente-futuro do tambor...

Nesse enlace onde o osso é flauta e o significante é sopro.

Onde as coisas desimportantes são as grandes verdades que moram nos detalhes.

Onde a verdade vem em partes,

Porque a própria Banda convida ao percurso e na virada a um retorno à fonte.

(Saudações a Lacan pela apresentação do "éxtimo" e sua demonstração através da Banda de Möbius.)

Escuta, ouve... é o n-osso tambori-lar...

...um único e e-terno sopro de vida em liberdade.

Na redobra da obra,

percebo que ao escrever poemas, sou minha primeira Leitora e Aurora de mim mesma.

Na Travessa da Paz nasci, na Travessia cresci, e todo dia ao Pôr de Mim floresço.

Abreijos no vagar da chama de quem não pede licença para saborear os saberes que a vida dá, 🍯 sem pressa.

Rejane Franco 🫶🏼 🦋

 


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