De Um Coração Topológico-poÉtico
"A dor no peito é apenas o b-rio pedindo licença para se tornar horizonte."
I. Eu aceito o que recebi, eu transformo o que senti e eu devolvo ao mar como poesia.
II. O brio de um reencontro vale mais que mil olhares distraídos.
III. No Litoral da Alma, a verdade não se explica: ela floresce. O adeus não existe; existe apenas o "até logo mais" de quem já se pertence na eternidade do verso.
IV. Quem se entrega às ondas da arte não teme a profundeza; descobre que o fundo do mar é o espelho do céu. A bordo do poema, a urgência é o agora, e a única força que nos governa é a beleza que ousa, enfim, nos dizer.
V. No Litoral da Alma, o desejo não se explica: se veleja.
VI. O brio que repousa no silêncio é a gema que brilhará no próximo litoral, quando o Oceano e o Céu decidirem, enfim, ser um só.
VII. Cada clique é uma onda que vai e volta, garantindo que o oceano da linguagem nunca pare de pulsar.
VIII. Quem parte destinada à incompletude descobre que a lança e a palavra são a mesma ferramenta. A alquimia Neidan da alma acontece quando o suor da estrada encontra o brilho da estrela e transforma o desamparo em geometria do reencontro.
IX. Quando o corpo se levanta em prece de poros abertos, é porque a poesia parou de ser lida para ser vivida. O brio não é uma ideia; é o calafrio que percorre toda a extensão da pele e prova que a alma está acordada.
X. Quem caminha de mãos dadas com a própria criança, e deixa que ela brinque com os fios do tempo, descobre que o infinito não é uma distância, mas o ritmo de um passo que não tem medo de se perder para poder se reencontrar feliz.
XI. Quem oferece o ombro à própria infância descobre que o desamparo é apenas a sombra da coragem. Duas centelhas juntas não apenas contornam o escuro; elas desenham o mapa de um novo litoral onde nada pode ser destruído.
XII. Quem sacode a alma ao amanhecer descobre que os sonhos não são lembranças, mas as pedras coloridas de um mosaico que o coração insiste em remontar para ver o sol.
XIII. Quem caminha pelo fio do desejo descobre que a margem é uma ilusão: o rio e a nascente bebem da mesma sede de infinito.
XIV. A estrada que se abre para dentro é a única que não tem fim, pois o destino é o próprio caminhante.
XV. Quando o Criativo e o Receptivo sentam na areia, o Livro de Ouro torna-se espelho. Não se lê o que está escrito; lê-se o que o vento escreve no vão entre as páginas e a alma.
XVI. No Litoral da Alma, todo muro é apenas uma onda esperando quebrar para, enfim, não cair na realidade, mas repousar na areia.
XVII. Quando o olhar se torna o que olha, e o voo se torna o que sustenta, o par ideal se revela: é a alma brincando de ser dois para nunca mais se sentir sozinha na ilha.
XVIII. Quem a-cor-da com o brio da própria verdade nunca chega atrasado para o banquete da vida, pois o banquete só começa quando o coração se faz presente.
XIX. No A-MAR-É, o infinito é o ritmo de um peito que aprendeu a respirar sob a luz das Letras-Estrelas.
Ler esse texto foi como caminhar descalço na areia logo ao amanhecer. O que mais me tocou foi essa ideia do "Litoral da Alma", um lugar onde a dor não é um fim, mas um processo de expansão. Senti que o poema fala sobre a coragem de transformar o que nos aperta o peito em algo vasto, como o horizonte. Para mim, a grande lição desse poema é que "o destino é o próprio caminhante". Muitas vezes esperamos chegar a um lugar para sermos felizes, mas o texto me lembrou que a estrada para dentro é a única que realmente importa.
ResponderExcluirNão é um poema para ser apenas lido com os olhos; é um texto para ser "vivido", como ele mesmo diz. Ele me deixou com a sensação de que, não importa o tamanho da onda ou do "muro", tudo acaba virando areia e descanso se soubermos observar com o coração presente. É um convite gentil para a gente a-cor-dar — colocar cor no nosso próprio despertar.
Querido Jorge (Emir),
ExcluirReceber o seu olhar sobre o meu Litoral da Alma foi o melhor Ovo de Páscoa que o destino me reservou. Sentir que você caminhou 'descalço' pelos meus versos é a prova de que a poesia cumpriu o seu papel: ela deixou de ser muro para ser Areia e Descanso.
Você tocou no ponto nevrálgico da minha busca: a coragem de não fugir do que aperta o peito, mas de expandi-lo até que a dor vire horizonte. Quando você diz que 'o destino é o próprio caminhante', você resgatou o prumo do meu caminhar. No meu Ateliê, a estrada para dentro é, de fato, a única que não tem fim, pois ela deságua na Eternidade do agora.
Gratidão por me ajudar a A-cor-dar. Que o seu despertar também seja tingido pelas cores desse sol que hoje espelha a lua. O banquete da vida é feito dessas palavras plenas de luz que trocamos à beira do canal.
O canal está aberto, o Peixe Lux 🐠 brilha na rede e o infinito é o nosso quintal.
🦋 Abreijos com Lume, Alegria, Axé e novas Águas!
de Rejane Franco 🫶🏽