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A SENDA DO ANEL DE BARBANTE

NOTA PRELIMINAR

Quem perguntou: "o que não podemos?"

A resposta:

Não podemos comportar em nossa consciência todo o volume estético-poético do psiquismo de nossos ilustres convidados. Porém, somos obrigados a reconhecer, em nossa percepção, a qualidade desse lume atemporal que influencia o Litoral da Alma... em toda a sua humildade.

A Senda do Anel

​No elo da paleta de Goethe,

o azul abraça o amarelo

para que o barbante não seja apenas fio,

mas caminho.


​Três voltas:

​Uma para o que fomos,

Uma para o que somos,

E a terceira... para o It que nos convida a ser.


​A cor é o abraço da luz na sombra,

lavrando no olhar o matiz do sentir.

Enquanto a pa-lavra lavra,

a poesia desvela os sentidos do porvir.


​A Topologia do Enlace: Azul, Amar-elo e B-rio

​Material para fazer da travessia o anel de barbante: três voltas fixas, unidas por um elo entre o azul e o amarelo. E aqui, nos reencontramos de mãos dadas, outra vez:

  • =_= Leminski traz seu mel no cadinho do haicai: “Amar é um elo / Entre o azul / E o amarelo”.
  • (^^) Goethe vem no elo de sua paleta, tingindo a teoria com a luz das cores.
  • ^_^ Lacan demonstra como tecer o seu Nó Bor-romeu: um nó de três onde, se um se solta, o sentido se perde no mar.

>⁠.⁠< Enquanto isso, no jardim dos Capu-letras...

Romeu: — Se não é a cotovia, nem o rouxinol... Quem flana no jardim numa hora dessas?

Julieta: — É a Imago ao pé da letra: a Borboletra.

​O mistério não está em esconder, mas em revelar o óbvio: o Nó Bor-romeu de barbante e a Bor-boletra significante.

​A Anato-mia do Som

  • O Nó Bor-romeu: É a sustentação. Na topologia de Lacan, é o que impede o sujeito de cair em parafuso. É o "Bor" da estrutura, da amarração que garante que o sentido não se perca no mar.
  • A Bor-boletra: É a libertação. A palavra que rompeu o casulo da gramática para ganhar asas. Se o nó segura, a borboletra flutua. É o "Bor" da metamorfose e do perfume-amora que poliniza o Litoral.

O Enlace Topológico:

Para que a Borboletra voe sem se perder no vazio, precisa do enlace do Nó. Para que o Nó não seja apenas uma prisão de barbante, precisa da alma da Borboletra para lhe dar cor e movimento.

​🐈‍⬛ O N-osso Gato Toro: Guardião das Janelas

​Revela o significante ambidestro: acaricia com a língua de veludo e arranha com a verdade do osso. Ele limpa a visão para que a alma enxergue o que está do outro lado da transparência.

Quando a Anatomia Mia:

  • ​🪟 A Janela é o limite entre o dentro e o fora;
  • =_= O Significante é a palavra-elo que apresenta o sol Amar-elo ao b-elo pássaro do olhar que se permite a travessia;
  • ​🦋 A Alma é quem se atreve ao descortino.

​O Gato Toro agora passeia no pomar, salpicado de estrelas, garantindo que o mistério continue inominável, mas sempre no-miado. É o som que atravessa o vidro!

​Manifesto do Esqueleto Esquisito

(N-osso Estranho Modo de A-mar-é...)

A-mar-é:

Um elo melado no matiz do sentir,

no b-rio de existir, na paixão de dizer.

No sentido da vida, é viver.

​É o desejo de saber do outro, do mundo e de si mesmo.

Auscultar palavras conversando entre elas.

É a coragem de interpelar-se sem vergonha.

Ler-se. Desnudar-se diante de um poema

e ir "colorrindo" a existência em detrimento de tudo.

​Amar é, de todos os elos, o mais b-elo.

A matriz de todas as religações, cores e amores que a vi-da dá.

A-mar-é...

​Expressões do Sorriso do Esqueleto Esquisito:

  • *\0/* : A celebração da Borboletra que acaba de ganhar o céu.
  • B-) : O brio de quem olha o horizonte com as lentes da poesia.
  • ^_^ : A paz de quem sabe que o nó de três está bem atado.

​Esse é o n-osso estranho modo de "colorrindo" rir, ir, sorrindo, indo... É se permitir perder no "n-osso" para se encontrar no "it" de um conv-it.

Ah, o ato falho! O "lapso":

Se é erro para a consciência, para o Inconsciente é o maior acerto! É o significante mais honesto da alma. O inconsciente não dá ponto sem nó — ele dá o nó onde menos se espera para revelar a verdade.

​Ao escrever "colorrindo", o Esqueleto Esquisito deu uma gargalhada! Provou que a Geometria do Afeto não é solene, mas banhada pela carícia da língua-gem e pela alegria da descoberta. ⛲


REPORTAGEM DO PIQUENIQUE DE POEMAS 

Quem perguntou "que eles diriam"?

Goethe: Olharia para o sol Amar-elo e sorriria, satisfeito por ver que não apenas lemos sua teoria, mas a sentimos. Ele diria: "Minha cara Rejane, a ciência é cinza, mas a árvore dourada da vida é verde... e no seu Litoral, ela é color-rida! Obrigado por transformar meu prisma em abraço."

Leminski: Chegaria com o cadinho na mão, pronto para o "melado". Ele daria um tapinha no ombro do Esqueleto Esquisito e diria: "Puta brio, poeta! Você pegou o meu elo e fez dele uma senda. No fundo, todo haicai é um anel de barbante: curto no espaço, mas infinito no laço."

Lacan: Olharia para o Gato Toro e para a Borboletra com um brilho enigmático nos olhos. Ele não daria uma explicação, ele faria um corte: "Finalmente! Alguém que entendeu que o Nó Bor-romeu não é para ser explicado, é para ser a-morado. Rejane. Você não fala 'sobre' o inconsciente, você deixa que o Inconsciente fale por meio do seu 'lapso'. O seu 'colorrindo' é o meu melhor seminário."

Em nosso piquenique não faltou criatividade; somos privilegiados, pois sabemos que, na vida, nada nos foi fácil

Pois nenhum deles disse que seria fácil.

Abreijos vertiginosos sobre a complexa polifonia do Litoral da Alma.

Reportagem de: Rejane Franco 🫶🏽 🦋

O Sopro 🌬️

(Na meta poÉtica: temperar a teoria com sabor de poesia e uma pitada de π\pi-menta malagueta. Pois no Litoral da minh'alma tropicalista o poeta é a primeira malagueta significante do planeta! Aqui, nosso Waly sempre co-movente na memória em movimento, na extensão de nossas vidas)

O S-elo da Cor-respondência 💌

💧 A Gota do poderoso sonho: O co-lírio que limpa o olhar para o novo.

🕸️ O Sonho Junto: A nossa rede de b-rio.

🍎 A Maçã: O fruto do Perlaboratório o saber que não apenas se estuda, mas se desfruta com o húmo do prazer e a coragem de vi-ver.

O Descortino da Borboletra 🦋

"Tirem a tabuleta. Dêem chocolate às crianças que amanhã é infinito!" 🌬️💌💧🕸️ ♾️ 🍎

E o resto é poesia: essa minha inquietante-quietude. 🫶🏽

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